Menina com pele cor de pessego e cabelos loiros cor de
palha, achava o mundo um imenso jardim e ficava admirada com seus vários perfumes. Pessoas com cheiro de folhas esmagadas
mescladas com algo mais profundo, algo mais intenso que ela não conseguia
definir. Achava o amor algo intenso, que precisava ser mostrado, não algo que
seja apenas pela convivência, o cotidiano. Menina que acabara de perder todos
os seus medos. No passado se sentia
insegura mesmo em sua cama, vulnerável a cada passo e exposta a cada esquina,
acreditava que merecia a tortura, que havia feito algo de errado e que algo em
seu interior era ruim, pensava em morte. Cansou de se encolher de tanto medo, e
resolveu que não iria mais se deixar abater por causa de um passado de
intrigas. Achava idiota perder a cabeça por causa de um garoto, mas no seu
interior era isso que desejava. Enquanto suas amigas perdiam o folego por
rapazes cheios de energia, jovens e fortes, para ela faltava-lhes alguma coisa.
Ela bem que gostaria de não se sentir tão distante das emoções das amigas,
deveria ser maravilhoso sentir-se estonteada de tanta alegria, como acontecia
com elas. Mas, por mais que tentasse, o amor nunca havia sido um ponto de tanto
interesse pra ela, não sentia pressa. E
por isso de vez em quando sentia um desânimo que as pessoas sentem após um
feriado ter acabado. Ela queria o mais perigoso, o mais impossível, e sabia que
não poderia ter pressa em achar alguém assim, que ele viria com o tempo, mas
que por meio do destino já havia alguém reservado a ela, alguém que por
sentimento cresceriam como duas videiras entrelaçadas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário