quinta-feira, 13 de dezembro de 2012


Menina com pele cor de pessego e cabelos loiros cor de palha, achava o mundo um imenso jardim e ficava admirada com seus vários perfumes.  Pessoas com cheiro de folhas esmagadas mescladas com algo mais profundo, algo mais intenso que ela não conseguia definir. Achava o amor algo intenso, que precisava ser mostrado, não algo que seja apenas pela convivência, o cotidiano. Menina que acabara de perder todos os seus medos.  No passado se sentia insegura mesmo em sua cama, vulnerável a cada passo e exposta a cada esquina, acreditava que merecia a tortura, que havia feito algo de errado e que algo em seu interior era ruim, pensava em morte. Cansou de se encolher de tanto medo, e resolveu que não iria mais se deixar abater por causa de um passado de intrigas. Achava idiota perder a cabeça por causa de um garoto, mas no seu interior era isso que desejava. Enquanto suas amigas perdiam o folego por rapazes cheios de energia, jovens e fortes, para ela faltava-lhes alguma coisa. Ela bem que gostaria de não se sentir tão distante das emoções das amigas, deveria ser maravilhoso sentir-se estonteada de tanta alegria, como acontecia com elas. Mas, por mais que tentasse, o amor nunca havia sido um ponto de tanto interesse  pra ela, não sentia pressa. E por isso de vez em quando sentia um desânimo que as pessoas sentem após um feriado ter acabado. Ela queria o mais perigoso, o mais impossível, e sabia que não poderia ter pressa em achar alguém assim, que ele viria com o tempo, mas que por meio do destino já havia alguém reservado a ela, alguém que por sentimento cresceriam como duas videiras entrelaçadas.